28 de out de 2010

Dilma tem história sim

Assistindo ao debate da TV Record, exibido na segunda-feira, 25/10, fiquei estarrecido com a postura de José Serra. Nos fez lembrar Paulo Maluf, na sua tática de repetir uma mentira até ela virar verdade.

Aliás, a campanha de Serra já vem se inspirando no estilo malufista, ao chamar a candidata à presidência de “Dona Dilma”, assim como Maluf se referia à ex-prefeita, “Dona Marta”. E nós sabemos que este “dona” não é aquela expressão respeitosa e carinhosa que chamamos tantas chefes de família e donas de casa.

Eles utilizam o termo “dona” de forma grosseira, com a intenção de diminuir o papel de Dilma dentro da corrida presidencial. Com isso eles dizem nas entrelinhas, “ela não tem currículo, ela não tem história, ela é apenas uma dona, uma mulher”. Como se ser mulher fosse pouco.

Até a ex-primeira dama, Ruth Cardoso, considerava o termo pejorativo. Ela queria que a tratassem por você, professora, nunca de dona. Mas Serra não entendeu a mensagem de sua companheira de partido, e seria demais esperarmos dele um gesto tão civilizado.

Serra não respeita Dilma e não respeita as mulheres, ao colocar em pauta um tema tão delicado como aborto de forma tendenciosa e eleitoreira. Serra não respeita a inteligência dos brasileiros, ao encenar uma agressão que não existiu. Serra não respeita seus companheiros de partido, ao chamar para si, e somente para si, a responsabilidade por governar um país com a dimensão do Brasil.

Diferente do que Serra diz, Dilma tem história sim. Esta mineira nascida em Belo Horizonte, no ano de 1947, é mãe, avó e economista, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi presa e torturada pelo regime militar, e lutou contra a ditadura do seu primeiro ao seu último dia.

Dilma foi a primeira mulher secretária da Fazenda da prefeitura de Porto Alegre, em 1986. Depois assumiu a diretoria-geral da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre e em 1990 torna-se presidente da Fundação de Economia e Estatísticas, órgão do governo gaúcho.

Em 1993, Dilma assume a Secretaria Estadual de Minas, Energia e Comunicação do governo do Rio Grande do Sul. E em 2002 conclui sua segunda passagem pelo governo gaúcho.

Com a eleição de Lula Presidente, Dilma é convidada para ser a primeira mulher a assumir o ministério das Minas e Energia, onde foi a responsável pela descoberta do Pré-sal. Em 2005, foi a primeira mulher ministra-chefe da Casa Civil, onde coordenou os principais programas do governo Lula. Esta é a mulher que queremos colocar na presidência. Uma mulher determinada, competente, sensível e que tem história!

Adriano Diogo, geólogo e deputado estadual (PT-SP).
Artigo publicado no Jornal do Cambuci e Aclimação, que circula nesta sexta-feira, 29/10/10.

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