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13 de dez. de 2010

ANÁLISE: Liderança e nova classe média

Mudança na estrutura social não será efetiva se, além do consumo, não incorporar avanços significativos na educação, a maior barreira de acesso ao Primeiro Mundo
Kenneth Serbin*

O sucesso do lulismo deve-se ao progresso econômico do Brasil. Na gestão do presidente Lula, o Brasil tornou-se uma nação de classe média. De acordo com estudos estatísticos, em 2008, 52% da população – quase 100 milhões de pessoas – viviam em famílias com renda mensal entre R$ 1.115 e R$ 4.807, mais que os 44% de 2002, ano em que Lula se elegeu pela primeira vez.

Mais do que qualquer outra coisa, este grande senso de bem-estar no Brasil impulsionou Lula a índices históricos de aceitação nas pesquisas de opinião pública e assegurou a eleição da tecnocrata Dilma Rousseff como sua sucessora.

A retórica política no Brasil cria uma falsa dicotomia entre o PSDB e o PT. O ponto crucial é que a estabilização econômica começou sob o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso – especialmente com o fim da inflação e o Plano Real – e estabeleceu as bases para o crescimento econômico e a expansão da classe média.

Lula sustentou rigorosamente a política fiscal por meio da produção de superávits nas contas federais. Neste mesmo período do ano, em 2009, a imprensa noticiou que, inacreditavelmente, o governo brasileiro havia se tornado o quarto maior credor do governo americano, investindo US$ 154 bilhões em títulos do Tesouro Nacional. Portanto, o governo de Lula foi extremamente conservador em termos econômicos.

Da mesma forma, os programas sociais do governo Lula se expandiram a partir de ideias desenvolvidas no governo FHC. Graças a esses programas, indicadores-chave, como mortalidade infantil, melhoraram substancialmente. Em 1990, eram 52 mortes por mil nascimentos no Brasil. Este ano, o número caiu para menos de 20 mortes por mil nascimentos, um decréscimo de mais de 60%.

Assim, a emergência da classe média é o resultado não só de oito anos das políticas de Lula, mas de 16 anos de continuidade entre as gestões do PSDB e PT. Isso significa que toda uma geração de brasileiros está crescendo sem ter conhecido os tempos da alta inflação, temporariamente sanada com vários programas econômicos e várias trocas da moeda. Jovens brasileiros estão testemunhando uma sociedade de abundância sem precedentes. A fome ainda é um problema, mas já se veem sinais de que os maiores, nos próximos anos, podem ser a obesidade e o diabetes – dois fenômenos associados à maturidade do capitalismo em países como os Estados Unidos, onde muitas pessoas são indulgentes com a alimentação e não se exercitam regularmente.

O Brasil também está se tornando um país de classe média de outras maneiras. A presidente eleita Dilma Rousseff já tinha um iPad antes de o produto aportar oficialmente no Brasil. Ela simboliza a astúcia digital dos brasileiros. Hoje, mesmo pessoas de comunidades de baixa renda podem se dar ao luxo de ter computadores e acesso à internet. O Brasil tem uma enorme presença na blogosfera. Telefones celulares também estão em toda parte.

O Brasil continua a exportar quantidades enormes de alimentos – é uma vocação histórica –, mas também está produzindo carros, aviões, programas de computador e códigos do genoma. A economia brasileira se diversificou de maneira fantástica, com novos tipos de ocupação inimagináveis há algumas décadas e preparando o país para uma competição cada vez mais intensa na economia global.

O progresso político do Brasil não pode ser subestimado. De uma ditadura de 21 anos, que deixou o poder em 1985, para uma nação onde oponentes do regime militar, como Fernando Henrique Cardoso, Lula e agora a ex-revolucionária Dilma Rousseff, tomaram o poder em eleições legítimas, com transições pacíficas e sem interferência militar, o Brasil demonstrou cada vez mais sua maturidade política e seu compromisso com a democracia.

Estes fatores políticos fortalecem o progresso econômico e a imagem do Brasil como uma nação estável, atrativa a investidores e capaz de exercer liderança regional e global. Em suma, o Brasil pode não ser mais classificado como um país de Terceiro Mundo. Ele agora se encontra em uma classe de países como China e Índia, cuja proeza econômica e geopolítica, além do crescimento da classe média, os torna próximos do status de países de Primeiro Mundo.

Jogos e educação

O reconhecimento do status do Brasil vem com duas joias de prestígio internacional: sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Os Jogos Olímpicos não produzem um poder geopolítico. Ao contrário, eles são a projeção de um poder já existente ou, em última instância, a intenção de concretizá-lo. De qualquer forma, os esforços do Brasil em garantir os jogos revelam o que o país compreende, como fez a China com as Olimpíadas de Pequim em 2008: que exibir suas competências é importante para construir uma imagem internacional e chamar a atenção do mundo.

Muitos brasileiros e analistas estrangeiros gostariam de saber se o potencial do Brasil é apenas mais uma falsa esperança, uma outra versão do “país do futuro”, onde o futuro nunca chega, de fato.

Na verdade, ainda há muito a ser feito até que o Brasil se torne plenamente desenvolvido, uma nação de Primeiro Mundo. Embora as taxas de mortalidade infantil tenham caído drasticamente, ainda estão distantes dos índices de países como Chile, Colômbia, México e Argentina. A taxa de Cuba é de apenas 5,25 mortes por mil nascimentos. Em muitos aspectos, o Brasil ainda é um retardatário em termos de equanimidade socioeconômica.

Dilma e autoridades estaduais e municipais precisarão garantir a segurança nos locais onde será realizada a Copa do Mundo. Eles precisarão focar, em especial, na solução do problema da segurança pública no Rio de Janeiro, cidade-sede das Olimpíadas.

Os líderes brasileiros encontrarão uma forma de encobrir os problemas de segurança fazendo acordos com criminosos, “tudo para inglês ver”? Ou empenharão esforços para reformar a polícia e enfrentar de verdade os problemas do tráfico e do consumo de drogas?

Como primeira mulher a ser presidente do Brasil, Dilma pode catalisar a melhoria da situação da mulher, chamando a atenção nacional para suas questões e encorajando o desenvolvimento de novos programas gerenciados tanto pelo governo quanto pela sociedade civil.

As Olimpíadas e os programas de esporte no Brasil são um caso a considerar. A diferença entre Brasil, de um lado, e Estados Unidos, China e até um pequeno país como Cuba, de outro, é que estes investem pesado em programas de esporte voltados para a juventude, incluindo neles ambos os sexos. Estes países sempre levam para casa um grande número de medalhas. O Brasil não. Será que o país conseguirá aumentar significativamente seu desempenho para estar entre os maiores medalhistas, até 2016?

O Brasil deveria ficar atento aos Estados Unidos no futebol, por exemplo, porque ligas de futebol adolescentes despontaram nos Estados Unidos, nas últimas décadas. O interior dos Estados Unidos é povoado por um número gigantesco de “mães do futebol”, que levam as crianças para treinos e jogos nas vans e carros utilitários da família. O Brasil não tem este tipo de programa para suas garotas.

Para 2016, o Brasil terá muito mais a fazer, além de construir estádios, manter os traficantes de drogas dentro dos limites das favelas e limpar as ruas. Será necessário desenvolver um maciço programa de investimentos em esportes juvenis para ambos os sexos e crianças de todas as classes sociais, além de garantir que tais programas sobrevivam a longo prazo.

Educação é talvez a maior barreira para o Brasil entrar no Primeiro Mundo. Aqui, mais uma vez, Dilma pode ser uma boa influência e promover melhorias. Lula foi a expressão do pobre brasileiro que ascendeu socialmente. Subiu na vida. Ele é o retrato dos mais novos integrantes da classe média. Lula tem orgulho de sua origem operária. Ele cresceu com as adversidades, na “escola da vida”. Mas junto com isso vem um certo e pouco saudável desdém pela educação formal e por assuntos de cunho intelectual. Lula não é fã de leitura e este foi um mau exemplo para uma nação onde algumas pessoas pensam que professores, inclusive universitários, são “vagabundos”.

Os salários de professores universitários aumentaram, de fato, mas professores de escolas públicas e primárias ainda recebem salários miseráveis, além de, com frequência, trabalharem sob condições deploráveis. Lula e a imprensa gostam de especular acerca de suas futuras atividades e posições de liderança. Em nenhum lugar se menciona que Lula talvez volte à escola.
Talvez Lula pudesse aproveitar a “deixa” de Bill Gates, que abandonou a faculdade para fazer fortuna mas agora aconselha os jovens a concluir seus estudos. Gates, na verdade, depois aderiu a cursos de graduação on-line para obter vários diplomas universitários.

Neste aspecto a presidente eleita Dilma Rousseff é o oposto de Lula. Ela cresceu em uma família de classe média alta e teve a melhor educação que poderia ter tido. Ela gosta de ter consigo três livros, todo o tempo, e tem um prazer evidente por questões intelectuais. Quanto a isso ela repetirá pelo menos uma das características exibidas por Fernando Henrique, um renomado professor universitário.

Dilma representa aquilo a que o Brasil pode aspirar com uma liderança apropriada. A dela deveria ser única, e não uma repetição de Lula. Ela é o espelho de uma classe média em vias de ser consolidada.

Dilma pode militar a favor de uma melhoria no sistema público de educação no Brasil, que precisa urgentemente de melhores instalações físicas, professores mais bem treinados e mais bem pagos e administradores preparados para garantir que todos os brasileiros tenham condições e habilidades acadêmicas fundamentais para competir em uma economia global.

A importante liderança de Dilma na educação ajudaria a expandir as oportunidades que vêm com o status de um país de classe média. Apoiar a educação contribuiria consideravelmente, inclusive, para ajudar a resolver os problemas de segurança pública, uso de drogas e iniquidades de gênero.

*Kenneth Serbin é chefe do Departamento de História da Universidade de San Diego, onde leciona história do Brasil. Foi presidente da Brazilian Studies Association entre 2006 e 2008.

15 de out. de 2010

Dez falsos motivos para não votar na Dilma

Por Jorge Furtado

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

1. “Alternância no poder é bom”.

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Bornhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Bornhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”.

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista”.

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política”.

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC”.

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa”.

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.


x
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos (incluindo com e sem carteira assinada):
FHC/Serra = 5 milhões x Lula/Dilma = 15 milhões
http://blogdolen.files.wordpress.com/2010/01/taxadesemprego.jpg

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
http://blogdolen.files.wordpress.com/2010/01/salariominimoxcestabasica.jpg
http://blogdolen.files.wordpress.com/2010/01/salario-minimo-reajustado.jpg

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
http://blogdolen.files.wordpress.com/2010/01/linhadamiseria.jpg

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
Reservas cambiais:
FHC/Serra = menos 185 bilhões de dólares x Lula/Dilma = mais 239 bilhões de dólares
Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%


Inflação:
FHC/Serra =12,5% (2002) x Lula/Dilma = 4,7% (2009)
Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: "Não aceito o raciocínio do nós contra eles", e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

8 de out. de 2010

Dilma, mostre que é de briga

O Brasil merece a continuidade do governo Lula em lugar da ferocidade dos eleitores tucanos

Mino Carta

As reações de milhares de navegantes da internet envolvidos na celebração dos resultados do primeiro turno como se significassem a derrota de Dilma Rousseff exibem toda a ferocidade – dos súditos de José Serra. Sem contar que a pressa de suas conclusões rima sinistramente com ilusões.

Escrevi ferocidade, e não me arrependo. Trata-se de um festival imponente de preconceitos e recalques, de raiva e ódio, de calúnias e mentiras, indigno de um país civilizado e democrático. É o destampatório de vetustos lugares-comuns cultivados por quem se atribui uma primazia de marca sulista em relação a regiões- entendidas como fundões do Brasil. É o coro da arrogância, da prepotência, da ignorância, da vulgaridade.

É razoável supor que essa manifestação de intolerância goze da orquestração tucana, excitada pelo apoio maciço da mídia e pelos motes da campanha serrista. Entre eles, não custa acentuar, a fatídica intervenção da mulher do candidato do PSDB, Mônica, pronta a enxergar na opositora uma assassina de criancinhas. A onda violeta (cor do luto dos ritos católicos) contra a descriminalização do aborto contou com essa notável contribuição.

Ocorre recordar as pregações dos púlpitos italianos e espanhóis: verifica-se que a Igreja Católica não hesita em interferir na vida política de Estados laicos. Não são assassinos de criancinhas, no entanto, os parlamentares portugueses que aprovaram a descriminalização do aborto, em um país de larguíssima maioria católica. É uma lição para todos nós. Dilma Rousseff deixou claro ser contra o aborto “pessoalmente”. Não bastou. Os ricos têm todas as chances de praticar o crime sem correr risco algum. E os pobres? Que se moam.

A propaganda petista houve por bem retirar o assunto de sua pauta. É o que manda o figurino clássico, recuar em tempo hábil. Fernando Henrique Cardoso declarava-se ateu em 1986. Mudou de ideia depois de perder a Prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros e imagino que a esta altura não se abstenha aos domingos de uma única, escassa missa. Se não for o caso de comungar.

A política exige certos, teatrais fingimentos. Não creio, porém, que os marqueteiros nativos sejam os melhores mestres em matéria. Esta moda do marqueteiro herdamos dos Estados Unidos, onde os professores são de outro nível, às vezes entre eles surgem psiquiatras de fama mundial e atores consagrados. Em relação ao pleito presidencial, as pesquisas falharam e os marqueteiros do PT também.

Leio nesses dias que Dilma foi explicitamente convidada por autoridades do seu partido a descer do salto alto. Se subiu, de quem a responsabilidade? De todo modo, se salto alto corresponde a uma campanha bem mais séria e correta do que a tucana, reconhecemos nela o mérito da candidata.

Acaba de chegar o momento do confronto direto, dos debates olhos nos olhos. Ao reiterar nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff, acreditamos, isto sim, que ela deva partir firmemente para a briga, o que, aliás, não discreparia do temperamento que lhe atribuem. Não para aderir ao tom leviano e brutalmente difamatório dos adversários, mas para desnudar, sem meias palavras, as diferenças entre o governo Lula e o de FHC. Profundas e concretas, dizem respeito a visões de vida e de mundo, e aos genuínos interesses do País, e a eles somente. Em busca da distribuição da riqueza e da inclusão de porções cada vez maiores da nação, para aproveitar eficazmente o nosso crescimento de emergente vitorioso.

CartaCapital está com Dilma Rousseff porque é a chance da continuidade e do aprofundamento das políticas benéficas promovidas pelo presidente Lula. E também porque o adágio virulento das reações tucanas soletra o desastre que o Brasil viveria ao cair em mãos tão ferozes.

P.S. Bem a propósito: a demissão de Maria Rita Kehl por ter defendido na sua coluna do Estado de S. Paulo a ascensão social das classes mais pobres prova que quem constantemente declara ameaçada a liberdade de imprensa não a pratica no seu rincão.

24 de set. de 2010

Comício da Vitória

Olá Companheir@s

Estamos na reta final conto com a presença de vocês e o apoio de toda nossa militância no Comício da Vitória com Dilma, Mercadante, Marta, Netinho e nosso deputado estadual Adriano Diogo 13222, no Sambódromo dia 27/09 às 18 H.

Junte se a nós para o Brasil seguir mudando!

5 de jul. de 2010

Retrato de um Brasileiro - Rafael Herrera

“A elaboração desta obra teve como inspiração umas das características mais evidentes do
brasileiro comum que é a fé de que tudo pode melhorar, apesar de todas as evidências
apontarem para o contrário.
A técnica empregada é a do óleo sobre tela.
O estilo pictórico flutua entre o surrealismo e o metafísico.
A obra surgiu de um esboço em que procurava fundir a imagem humana a uma paisagem
característica do nordeste, aonde elementos desta paisagem comporiam os traços
fisionômicos da personagem.
Para minha surpresa, dias depois consultando o Google deparei-me com uma foto do
presidente Lula discursando na ONU, numa perspectiva idêntica à do meu esboço.
Resolvi então desenvolver minha idéia original dando à forma humana o semblante
do presidente que não por acaso é um nordestino, retirante, migrante, trabalhador e
vencedor das mais difíceis circunstâncias.”
Por Rafael Herrera