26 de ago de 2011

“Belíndia” – ou a fronteira entre a Bélgica e a Índia – está pertinho de todos nós...


Publicado no ABCD Maior

Iluminação, transporte, rede de esgoto, coleta de lixo, saúde, educação e segurança são alguns dos serviços públicos deficitários nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. Nada de efetivo é feito para sanar os problemas das regiões fronteiriças com outros municípios, como Diadema, Santo André, São Caetano, Mauá e São Bernardo do Campo.
Falta um pouco de tudo à população dessas regiões. A carência e a dependência levam fluxos de pessoas, famílias inteiras a depender – de forma quase absoluta – de serviços de outros municípios. No que se refere à dependência da população pobre da periferia da Capital, cabe questionar o quão desesperadora é a situação de viver na fronteira, em busca de civilização...
São mais de cinco mil moradores de bairros paulistanos como Jardim Ângela, Guacuri e Pedreira que procuram Unidades Básicas de Saúde e os hospitais públicos municipais de Diadema. Ou melhor, quase 10% do atendimento da rede pública municipal de saúde em Diadema são destinados a moradores destes bairros da Zona Sul de São Paulo.
Moradores do Jardim Monte Líbano, na Capital, vivem situação parecida. Preferem usar as linhas que vão para o Centro de Diadema e procuram quadras de esportes da cidade do ABCD. Tudo isto porque a carência de infra- estrutura nessas regiões propicia um processo de segregação social e espacial.
Propicia, também, uma segregação política, porque essas pessoas se reúnem e se relacionam com políticos de outros municípios e possuem, até mesmo, título de eleitor da cidade onde não moram...
Situação parecida ocorre na Zona Leste da cidade, onde 25 mil moradores do Parque das Flores utilizam serviços médicos, escolas e transporte público de Mauá. Só para se ter uma ideia, um grupo de moradores do Parque das Flores formou uma comissão para estender o Programa de Saúde da Família. Eles reivindicam à Prefeitura de Mauá que o programa fosse estendido ao bairro vizinho.
Trabalhar e consumir em cidades limítrofes também é prática de bairros que não oferecem a mínima infraestrutura. Moradores de Vila Bela e Vila Alpina, na Zona Leste, por exemplo, consomem e trabalham na vizinha São Caetano. As opções no mercado de trabalho – em especial nas áreas de call centers, construção civil, metalúrgica, indústria em geral e serviços – contribuem para aglutinar essas pessoas no município vizinho.
São pessoas que vivem em condições expulsórias. Elas não têm condições financeiras de habitar no município vizinho, com aluguéis mais caros, e muitas são segregadas. Outra evidência nessa região, que já ocorre hoje, vai se intensificar ainda mais durante a Copa do Mundo. Será uma limpeza étnica, que visa expulsar todos os pobres da periferia...
Adriano Diogo

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